Conselheiro Inaldo Araújo é o primeiro baiano a assumir a presidência do IRB


Publicado por Comunicação CRCBA em 3 de dezembro de 2025

Ascom TCE-BA

Numa votação marcada pela unanimidade entre 33 presidentes de Tribunais de Contas do país, o conselheiro Inaldo da Paixão Santos Araújo, corregedor do Tribunal de Contas do Estado da Bahia, foi eleito presidente do Instituto Rui Barbosa (IRB). A eleição aconteceu na tarde desta terça-feira (2/12) durante a Assembleia Geral do IRB, integrando a programação do IV Congresso Internacional dos Tribunais de Contas, que acontece no Centro de Convenções de Florianópolis (SC) até sexta-feira (5/12). Inaldo Araújo, primeiro baiano a ser eleito para a presidência do Instituto, sucede o conselheiro Edilberto Pontes Lima, que exerceu o mandato de presidente da Casa do Conhecimento dos Tribunais de Contas de 2022 a 2025.

Com um discurso emocionado, o conselheiro Inaldo Araújo deu ênfase ao grande trabalho desenvolvido pelo seu antecessor, explicando que somente o sentimento de união entre os que integram o sistema fortalecerá o papel dos Tribunais de Contas. “Só será possível vencer se cada um de nós tiver o sentimento de união e colaboração. Já avançamos muito e poderemos avançar cada vez mais se cada um de nós puder somar”, disse o diretor da Escola de Contas do TCE/BA.

AGRADECIMENTO
O presidente do TCE/BA, conselheiro Marcus Presidio, fez questão de se pronunciar, parabenizando e desejando muito sucesso ao conselheiro Inaldo. E começou sua fala com um agradecimento especial, ao revelar: “Há 10 anos quando eu cheguei ao sistema de contas, você me recebeu de forma carinhosa e acolhida. E por isto lhe digo, de público, muito obrigado”.

E acrescentou: “A construção desses 33 votos é sua, fruto do diálogo, do consenso, do ouvir e falar. Muito obrigado por tudo. O Tribunal de Contas do Estado da Bahia deseja toda sorte do mundo, sucesso. Conte conosco. Eu não estarei na presidência ao seu lado, mas aonde eu vou estar, seja onde eu estiver, conte comigo. Muito obrigado por tudo. Sucesso e Deus te abençoe”.

ÍNTEGRA DO DISCURSO DO PRESIDENTE ELEITO DO IRB

As primeiras palavras frente a um novo desafio:

Confesso que estou emocionado. E, quando as emoções florescem, falamos mais do que devemos. Porém, como há muito aprendi, é sempre bom deixar o coração mandar.
De pronto, preciso deixar claro que o resultado dessa eleição histórica para a presidência do Instituto Rui Barbosa (IRB), com os 33 votos dos 33 presidentes dos Tribunais de Contas brasileiros, revela alguns sinais.

Primeiro — e o mais importante — a união das 33 Casas de Contas. Sim, somos essenciais, mas a união nos fortalece e faz com que sejamos muito mais do que um. Afinal, como diria Aristóteles, o todo é muito mais que a soma das partes.

Segundo, a legitimação de um projeto que vem sendo construído há 52 anos: o nosso IRB se torna, cada vez mais, o braço acadêmico dos Tribunais de Contas do Brasil.

Agradeço aos presidentes Severiano Costandrade, do TCE/TO, o primeiro a apoiar o processo de normatização das auditorias das Casas de Contas; Sebastião Helvécio, o nosso cavalheiro das contas, que abriu as portas do Instituto para o mundo; Ivan Bonilha, que, com sua simplicidade, provou que as grandes conquistas se fazem em silêncio; e Edilberto Pontes Lima, atual presidente, que plantou sementes para os próximos 50 anos ao conduzir o IRB com sua mestria exemplar.

Saibam todos os senhores e as senhoras que minha missão é desafiadora, pois não é fácil seguir os caminhos abertos por gigantes. Mas sinto-me preparado e confesso que é um sonho que se transforma em realidade.

Agradeço à conselheira Cristiana de Castro e ao conselheiro Reginaldo Parnow por dividirem a messe e, em seus nomes, a todos os membros dessa diretoria do biênio 2026/2027. Os senhores e senhoras não hesitaram em sonhar por este momento e em contribuir com este projeto coletivo. Estamos e estaremos sempre juntos.

Agradeço aos 33 presidentes com quem tive o prazer de contatar diretamente. Saibam que contribuíram para que, pela primeira vez, um conselheiro da terra de Ruy Barbosa galgasse a presidência da entidade mais longeva dedicada ao aprimoramento dos Tribunais de Contas: o nosso Instituto Rui Barbosa (IRB). Revelo que participei de poucas eleições em minha vida, mas, a cada uma, constato o quanto é difícil a vida de um candidato.

Agradeço a todos os servidores do IRB; sem eles, não seríamos nada. Cito aqui alguns: Dênia, do TCE Tocantins; Marília, do TCE Minas Gerais; Crislaine e Nelson, do TCE Paraná; e Juraci, Izabelli, Sandra e Ana Perpétua, do TCE Ceará.

E ao falar do Tribunal de Contas do Ceará (TCE-CE), como não agradecer nominalmente a todos os conselheiros dessa Casa que acolheu o IRB nos últimos quatro anos: conselheira Soraia; conselheira Patrícia; conselheira Onélia; conselheiro Ernesto; conselheiro Edilberto; conselheiro Valdomiro Távora; e conselheiro Rholden. Registro publicamente que o IRB precisará, e muito, dos senhores.

Agradeço também a Vânia, minha mulher. Se sou o que sou é porque a tive ao meu lado nesses 30 anos de caminhada. Muito obrigado por ser a verdadeira conselheira de toda a jornada. Sei que toda a senda será mais leve porque terei você ao meu lado.

Agradeço aos servidores e amigos do TCE-BA que estão comigo diuturnamente nessa caminhada e que me assessoram para que eu possa sempre dar o melhor de mim.

Disse na introdução que estava emocionado. Confesso que estou ainda mais, pois sei o desafio que é presidir a “Casa do Conhecimento” dos Tribunais de Contas, cujo objetivo é “promover o fortalecimento e a integração dos Tribunais de Contas por meio do desenvolvimento de capacitações e melhorias de métodos de controle externo” e que vislumbra ser uma “referência na produção e disseminação de conhecimento e no aprimoramento da administração pública”. Sim, essas são a missão e a visão do IRB, consagradas no nosso Planejamento Estratégico 2023/2027.

Se sabemos o que queremos, só é preciso trabalhar — e muito — com as Escolas de Contas, promovendo ainda mais eventos, seminários e programas de formação; é preciso, também, ampliar as publicações de livros e revistas técnicas; continuar a fomentar as parcerias institucionais (academias, Órgãos de Controle de outros países, organismos multilaterais de financiamento, entre outros); e estreitar os elos com conselhos profissionais e entidades do sistema de controle interno.

É imperioso também trabalhar para que o IRB seja cada vez mais conhecido além dos muros dos Tribunais de Contas. Sim, se no âmbito do nosso sistema não há dúvida de que o IRB é a “Casa do Conhecimento”, precisamos fazer com que a sociedade também assim nos reconheça. É imprescindível que, quando alguém pergunte a uma dessas ferramentas de inteligência artificial o que é o IRB, não seja remetido ao Instituto de Resseguros do Brasil ou não o confundam com a Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

Apoiaremos todas as ações que visem ao fortalecimento do controle público, em especial aquelas dedicadas a disseminar o uso das ferramentas de inteligência artificial — mas sempre com o cuidado de não nos deixarmos iludir pelos “cantos das sereias” ou pela “hype” do momento. E, em homenagem à linguagem simples, não nos esqueçamos de explicar que “hype” significa “entusiasmo, euforia ou grande expectativa gerada por algo que se torna tendência, popular ou que está na moda. É o burburinho, a comoção ou a publicidade exagerada em torno de um produto, evento, pessoa ou ideia, fazendo com que todos falem sobre ele”.

Incentivaremos também ações que levem o nome do IRB aos jovens, pois uma pesquisa recente da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) revelou que 65% desse público desconhecem os Tribunais de Contas. Que belo exemplo a ser seguido o programa “Cidadania e Controle Social das Contas Públicas”, do TCE/CE.

Trabalhar de mãos dadas com nossas instituições representativas — Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), Conselho Nacional de Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPTC), Associação Brasileira dos Tribunais de Contas dos Municípios (ABRACOM), Associação Nacional do Ministério Público de Contas (AMPCON), Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas (Audicon) e Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil (ANTC) — será mais do que essencial.

Afinal, como escutei ontem no Seminário Brasil-Espanha, no dizer da doutora Sofia Barreto, de Salamanca, e de fato acredito nisso, “O controle que une conhecimento, ética e cooperação constrói instituições mais fortes”.

Precisamos, ainda, continuar o trabalho pela autossuficiência do IRB e oferecer todo apoio para que nossos comitês técnicos sigam sendo extremamente relevantes para o controle externo.
Ao caminhar para o fim, se me perguntassem como eu resumiria nosso projeto de gestão em uma palavra, diria, sem pestanejar: união. Sim, porque somente com a união de todos aqueles que lutam por uma sociedade mais democrática e menos injusta será possível transformar o sonho em realidade.

Rogo a Deus que eu siga, da Bahia ao IRB, com o coração sempre pulsante.

Muito obrigado”.

Inaldo da Paixão Santos Araújo