|
Desemprego
em alta, flexibilização das relações de trabalho e incentivos para a
abertura de pequenos empreendimentos são apenas alguns motivos que
explicam o momento ímpar vivenciado pela área de contabilidade.
Provavelmente nunca antes os brasileiros precisaram (e vão precisar)
tanto do exército de quase 400 mil contabilistas em atividade no País.
Anualmente, em média, cerca de 500 mil negócios são constituídos e 120
mil encerrados, segundo o DNRC (Departamento Nacional de Registro do Comércio).
Com a entrada em vigor do Estatuto da Micro e Pequena Empresa, a partir do
dia 1º de julho próximo, por exemplo, esse número deve crescer
substancialmente.
O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas)
estima que existem 10,3 milhões na ilegalidade e a nova legislação vai
estimular a formalização de pelo menos um milhão.
Outras novidades também agitam o mundo contábil, como o surgimento de
novas - e sofisticadas - áreas de trabalho. Pesquisas recentes indicam
que a contabilidade é uma das atividades mais promissoras.
Com a onda verde que tomou boa parte das organizações mundiais, alguns
profissionais vanguardistas já estão ganhando dinheiro atendendo
demandas relacionadas aos mercados de crédito de carbono e de neutralização
de poluentes. Sem falar das pessoas que se especializaram em balanços e
auditorias ambientais.
Também saiu na frente quem resolveu estudar as normas internacionais US
Gaap (norte-americana) e IFRS (européia). Com a abundante oferta de
recursos de investidores estrangeiros interessados em títulos
brasileiros, além do crescimento das fusões e aquisições, virou objeto
de desejo (e disputa) o contabilista que domina essas técnicas. De acordo
com o sócio da filial brasileira da PricewaterhouseCoopers, Valdir
Coscodai, a remuneração de um profissional com essas habilidades é
bastante diferenciada.
Como a oferta de pessoas capacitadas é um dos principais problemas
enfrentados hoje em dia pelos empregadores, as instituições de ensino não
perderam tempo e estão investindo nos mais diversos cursos de especialização.
“A média salarial de quem fez um MBA de qualidade é entre 20% e 25%
maior”, conta o chefe do departamento de contabilidade da PUC/SP (Pontifícia
Universidade Católica), Adhemar de Caroli.
Já que educação é um dos pontos-chave da profissão, a polêmica
envolvendo o ensino técnico continua em evidência. Várias correntes
defendem o fim dessa modalidade, alegando falhas graves no processo de
formação. Para o presidente do Sindicato dos Contabilistas de São
Paulo, Sebastião Luiz Gonçalves dos Santos, se nem as universidades
oferecem todo o conteúdo necessário, o que dizer das escolas técnicas.
Formação profissional, aliás, é uma das prioridades do CFC (Conselho
Federal de Contabilidade), entidade presidida pela alagoana Maria Clara
Cavalcante Bugarim, a primeira mulher da história a ocupar o cargo.
Outro desafio é a melhoria da remuneração, já que o contador, apesar
de lidar com as finanças alheias, é um dos profissionais liberais mais
desvalorizados.
A expectativa é que a tradicional mensalidade de um salário mínimo saia
de cena e os escritórios se estruturem para oferecer serviços
sofisticados, como consultoria de gestão empresarial. “É inconcebível
que um profissional sujeito a tantas responsabilidades ganhe o mesmo ou até
menos do que uma diarista que trabalha uma vez por semana”, diz o
presidente do Sescon/SP (Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis),
José Maria Chapina Alcazar.
Fonte:
Diário do Comércio
|