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Com alterações, o Senado Federal aprovou nessa quarta-feira (8), por 47
votos a zero, a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (PLC 100/06), depois
de um acordo entre o governo e a oposição. A principal alteração foi a
prorrogação, do dia 1º de janeiro para o dia 1º de julho de 2007, do
início da vigência da nova lei. Com as mudanças, o projeto voltará a Câmara,
para nova votação. Segundo o senador Luiz Otávio (PMDB-PA), relator do
projeto, a mudança no prazo para a entrada em vigor da lei - inicialmente
prevista para 1º de janeiro -- foi conseqüência da necessidade de absorção,
pelos estados, de alguns itens do projeto.
Segundo Mantega existe um
problema técnico que impede que a Lei vigore em janeiro. São precisos
ajustes para o recolhimento unificado de tributos federais, estaduais e
municipais e os devidos repasses. De acordo com o secretário da Receita
Federal, Jorge Rachid, a Receita já trabalha no novo sistema, mas ele
concordou que não há tempo hábil para que ele entre em operação em
janeiro. "Primeiro de julho é uma data mais factível",
afirmou. Antes disso, segundo o secretário, o contribuinte não terá um
sistema para recolher seus tributos e a união não terá como repassar os
recursos dos estados e municípios.
Mesmo com os problemas
divulgados na última terça-feira (7), o secretário da Receita Federal
reiterou que a Lei Geral é prioridade dentro do governo, pois é uma
forma de racionalizar a cobrança de impostos. No entanto, para que a Lei
seja benéfica é necessário que exista uma ferramenta eficiente de
recolhimento e repasse dos recursos aos estados e municípios, sob pena
que tumultuar as finanças de alguns entes públicos.
Por outro lado, o presidente da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do
Sebrae-SP, Paulo Skaf, disse no dia anterior a votação, ser
"surpresa" que um problema técnico para a implementação do
Super Simples em 2007 tenha sido levantado apenas agora. "A lei está
em discussão há mais de um ano, e sempre se soube que seria uma reforma
tributária para as microempresas", disse. "Não sei por que
essa dificuldade foi levantada apenas agora, quando o assunto esquentou de
novo em Brasília". Para ele, a lei devia ser implementada o mais
rapidamente possível. "Lutamos muito por ela e sabemos que a maioria
das bancadas é favorável. Se o problema é técnico, deve ser resolvido
logo".
Receita
Com o adiamento acertado ontem,
o governo vai perder menos receita no ano que vem do que previsto
inicialmente. A primeira estimativa era que a reestruturação das tabelas
de cobrança de impostos para micros e pequenas empresas implicaria uma
renúncia fiscal federal de R$ 5,4 bilhões por ano. Segundo Mantega, com
a vigência a partir de julho, o rombo nos cofres da União vai se reduzir
à metade, com as perdas caindo para R$ 2,7 bilhões. |