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O apelo à opinião contábil sobre a potencialidade da riqueza é feito
freqüentemente, quer no mundo dos negócios, quer em questões de litígios
ou apuração de haveres.
Como o objetivo da empresa é oferecer lucro, no caso do mesmo ser obstado
ou cessável cria uma situação peculiar cuja consideração é evocada
habitualmente.
Deixar de ter resultados positivos, quer por acidente, quer por circunstâncias
adversas de outras naturezas, gera expectativas.
A ótica, todavia, sob a qual deve ser visto o problema influi
decisivamente na questão.
Isso sugere considerações de ordem doutrinária científica, associada,
também, a pesquisa de ordem empírica.
Inicialmente é preciso considerar que lucro cessante é um fenômeno
patrimonial específico.
Ou seja, não se deve confundir tal evento com nenhum outro, sequer com o
de “resultado do exercício”.
A mensuração do referido fenômeno requer, portanto, todo um complexo
como estudo.
Como requer, para a sua quantificação, a projeção do futuro, para que
possa ser expresso em valor, este, no caso, é deveras uma imagem do
“possível”.
Duas situações, pois, como fatos contábeis, existem a considerar.
A da cessação e a da projeção.
Uma é real e outra virtual.
A cessação é concreta e a projeção é abstrata.
Ambas as referidas, todavia, são fenômenos patrimoniais – um fruto de
realidade e outro de probabilidade.
Tal coisa, entretanto, nem sempre tem sido considerada, resultando em
apurações que podem trazer sérios problemas quanto à inadequação dos
cálculos.
Isto porque é preciso observar a questão sob uma ótica peculiar que
como método venha a considerar a formação dos lucros presentes, a
experiência de ocorrência passada, a tendência entre passado e presente
e a perspectiva quanto ao futuro.
Como tudo é dinâmico na vida dos capitais, como o lucro é uma derivação
deste, como a evolução submete-se a variáveis, o fator contingência não
pode deixar de ser considerado.
No caso, é preciso ter em foco as contingências tanto positivas quanto
negativas.
Ou seja, a incerteza tanto pode prejudicar quanto beneficiar o lucro.
O que não se deve admitir, em nenhuma hipótese é a projeção apenas
linear, tomando-se como base singularmente os lucros passados, como alguns
processos rotulados técnicos apresentam como metodologia.
O fato de um lucro haver ocorrido no passado não significa que volte a
ocorrer no futuro da mesma forma.
Isso porque o crédito ou resultado do capital se sujeita à ação dos
agentes que sobre ele atuam.
A riqueza não se move por si mesma.
Garantia de continuidade em concessões e privilégios, comportamento do
mercado, panorama econômico, condições sociais, evolução tecnológica,
condições políticas são alguns dos fatores externos à empresa e que
podem sobre a mesma influir de forma relevante.
Da mesma forma a questão interna pode ser tangida com a idade do pessoal,
rotatividade de empregados, resistência ao moderno, escassez de recursos
etc.
A análise dos componentes do crédito deve ser equivalente à dos seus
agentes modificadores.
Alteradas as condições dos referidos agentes modificam-se as capacidades
de produção do resultado.
O cálculo, pois, de lucros cessantes precisa mais aferrar-se a “variáveis”
que a “constantes”.
A evolução do capital, considerada a mutação dos agentes que influem
sobre o patrimônio, invalidando a aceitação de “constantes”, também
invalidam a da linearidade da projeção do lucro para efeito do cálculo
dos que podem ter cessado.
O incremento ou o definhamento dos fatores que no passado influíram sobre
a produção do resultado, e, mesmo as que no presente já são identificáveis,
são deveras relevantes para o efeito dos cálculos dos lucros cessantes.
Autor: Antônio Lopes de Sá
- Doutor em Letras, honóris causa, pela Samuel Benjamin Thomas University,
de Londres, Inglaterra, 1999 Doutor em Ciências Contábeis pela Faculdade
Nacional de Ciências Econômicas da Universidade do Brasil, Rio de
Janeiro, 1964. Administrador, Contador e Economista, Consultor, Professor,
Cientista e Escritor. Vice Presidente da Academia Nacional de Economia, Prêmio
Internacional de Literatura Cientifica, autor de 176 livros e mais de
13.000 artigos editados internacionalmente.
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