POR ONDE ANDA VOCÊ, CONTABILISTA?

 

1-APRESENTAÇÃO DO ENTREVISTADO

R. Wilson Thomé Sardinha Martins, nasceu em Salvador - BA. -1929. É Contador, Economista e Atuário. Auditor Fiscal do Tesouro Nacional-aposentado. Como professor ensinou na graduação da Faculdade de Ciências Contábeis da UFBA e em outras Unidades. Fez parte de várias bancas na qualidade de examinador de Mestrado em Contabilidade. Presentemente, faz palestras em diversas faculdades sobre Imposto de Renda Pessoa Jurídica e História da Contabilidade. Criou, no Brasil, a Contabilidade Tributária, em 1973, e a História do Pensamento Contábil, em 1996.

HOMENAGENS, COMENDAS E OUTRAS HONRARIAS:

Medalha Thomé de Souza, conferida pela Câmara Municipal de Salvador, em 1991 por proposta do então vereador Prof.Dr.Sudário de Aguiar Cunha; Primeira Medalha Contábil “Militino Rodrigues Martinez”, conferida pelo CRC-BA em 1991; Membro da Academia de Ciências Econômicas, Políticas e Sociais do Rio de Janeiro, ocupando a cadeira nº 151, cujo Patrono é Prof. Alexandre Augusto Machado - 1992; Prêmio Jovem Cientista Contábil - Wilson Thomé Sardinha Martins,  instituído pelo CRC-BA em 2001; Nome do Diretório Acadêmico Wilson Thomé Sardinha Martins, da Faculdade de Ciências Contábeis da UFBA – desde 1998; Notório Saber – Conferido pela Universidade Federal da Bahia em 2003.

Formaturas: número de vezes-Paraninfo-14; Patrono-8; Nome da Turma-5.

2 - POR QUE A CONTABILIDADE COMO PROFISSÃO?

R. Inicialmente, esclareço que minha primeira formatura foi em 1948, curso de Contador. Para minha surpresa dois anos depois ao receber o diploma constatei que a graduação era de Técnico em Contabilidade, quando tinha certeza que iria receber o título de Contador. Em 1949 fiz vestibular para Ciências Econômicas, concluindo em 1952. Como os meus conhecimentos na área contábil, mesmo sendo Técnico em Contabilidade, satisfaziam plenamente à minha atividade profissional, desejando obter um título superior em Contabilidade resolvi, em 1959, ingressar no curso de Ciências Contábeis e Atuariais, diplomando-me em 1962. Finalmente, optei pela profissão contábil porque foi a mais favorável em decorrência do mercado de trabalho e também dos meus conhecimentos já estarem bastante consolidados.

3 - O QUE FAZ ATUALMENTE?

R. Além de exercer a profissão de Auditor Independente, com ênfase em Imposto de Renda, com escritório no Centro Empresarial Iguatemi – Bloco A, salas 501/502, fui designado para coordenar uma Comissão composta de seis contadores para elaborar a Memória do Conselho Regional de Contabilidade da Bahia, desde a sua fundação, em 1947, até o ano de 2008, inclusive, graças a visão da atual presidente do Órgão Regional, Contadora Maria Constança Carneiro Galvão, primeira mulher a presidir o nosso Conselho depois de criado, há mais de 60 anos, demonstrando competência e excelente tino administrativo, uma vez que a memória do referido Órgão estava perdida entre as brumas do tempo. Diante deste exemplo, a meu ver, as mulheres deveriam ter mais oportunidades para ocuparem cargos importantes, hoje monopolizados, exclusivamente, pelos homens. A Contadora Maria Constança demonstrou alto tirocínio administrativo ao dar prioridade à tão importante trabalho, para isto fez editar duas Portarias de n°s. 108 e 254 de 2008, designando os seguintes profissionais para a sua composição: Arnold Sabino da Silva, Eloy Francisco da Silva, José Edvard Moraes, Leovigildo Silva Muricy de Santana, Walter Crispim da Silva e Wilson Thomé Sardinha Martins (Coordenador da Comissão).

4 - QUAIS FORAM OS TRABALHOS QUE MARCARAM E MAIS EMPOLGARAM A SUA CARREIRA?

R. Além de ter sido professor durante mais de 50 anos, fiz parte de várias bancas examinadoras de candidatos à Mestrado de Contabilidade; orientei monografias, dissertações e teses. Por outro lado, acredito que a minha produção livresca me deu bastante conceito em nossa classe profissional, uma vez que produzi os seguintes livros:

Curso de Correção Monetária do Ativo Imobilizado (2 volumes)-1974; Auditoria Fiscal Sob o Aspecto do Imposto de Renda-1976; Contabilidade Tributaria, (5 volumes)-1978; Curso Prático para Contabilistas-1979; Curso de Correção de Balanço e Controle do Imobilizado-1980; História do Pensamento Contábil-1996; História da Faculdade de Ciências Contábeis da UFBA-2005; História do Pensamento Contábil, em parceria com o Prof. Dr. Antonio Carlos Ribeiro da Silva-2006.

5 - COMO O SENHOR ENXERGA AS MUDANÇAS NA PROFISSÃO PROVINDA DAS NOVAS TECNOLOGIAS?

R. Sabemos com o avanço tecnológico colocado em prática, indubitavelmente, a mão-de-obra será repelida pela máquina. Com isto o número de oportunidades de empregos será cada vez menor. Somente terão boas oportunidades os profissionais mais habilitados. Então, só há um caminho a seguir: estudar o máximo possível aprendendo o básico e sempre se atualizando através de livros e revistas técnicas, além de cursos de pequena, média e longa durações. Devem participar de Congressos, Convenções e outros eventos relacionados com a profissão. O profissional deve ficar atento para as modificações introduzidas na profissão, dentre as quais a ESCRITA CONTÁBIL DIGITAL instituída pela Receita Federal do Brasil, além de outras obrigações no campo fiscal em todos os níveis: federal, estadual e municipal. Em nível mundial deve tomar conhecimento da Contabilidade Internacional, Governança Corporativa, além de outros assuntos afins.

6- SE PUDESSE ESCOLHER DE NOVO, SERIA CONTABILISTA, MAIS UMA VEZ?

R. Sim. É a profissão que exerço há mais de 60 anos e venho acompanhando de perto o prestígio que tenho sido alvo, uma vez que a nossa profissão é uma das mais difíceis existentes dentre aquelas de nível universitário, sobretudo em decorrência da dinâmica da legislação tributária do nosso país, que a cada momento são editados diplomas legais que modificam os  já existentes.

7- DEIXE UMA MENSAGEM PARA OS COLEGAS E AQUELES QUE AINDA SOMARÃO A CLASSE.

R. Todas as profissões são importantes. Todavia, cabe aos profissionais estarem sempre atualizados sobre a dinâmica correspondente à sua área de atuação. Não é com vários títulos que o profissional é considerado competente. Por exemplo, o nosso profissional ao se diplomar na graduação deve estar bastante seguro nos conhecimentos auferidos durante o período correspondente à primeira fase universitária. Por outro lado, deve se especializar em uma área que ele tem maior aptidão.  Não deve se preocupar em conhecer outros idiomas, sem estar bastante familiarizado com o nosso. O contador precisa saber corretamente a nossa língua, uma vez que terá que fazer vários relatórios, pareceres, correspondências, contratos e outros textos relacionados com a profissão. Outros idiomas são importantes desde que o profissional esteja numa fase mais evoluída, como por exemplo, no Mestrado e/ou Doutorado. O graduado em Ciências Contábeis deve possuir sua biblioteca com livros de bons autores, assim como deve fazer assinatura de revista que trate dos tributos e contribuições (federais, estaduais e municipais). Cursos de especialização devem ser freqüentados para sedimentar os seus conhecimentos auferidos durante a sua graduação. A leitura diária de uma hora, de livros técnicos da área é indispensável, preferencialmente, pela manhã, nunca durante a noite, assim nos ensinou o imortal Ruy Barbosa. Concluindo, devo levar ao conhecimento dos colegas que só o tempo dará a formação que todos nós almejamos. Hoje, aos 80 anos, ainda continuo estudando.