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Conselho Regional de Contabilidade do Estado da Bahia
Edição EXTRAORDINÁRIA 28/2006 de 21 de Novembro de 2006

Profissão Contábil: Instrumento de Cidadania

CEM ANOS DA FUNDAÇÃO VISCONDE DE CAIRU

Autor: Edivaldo Boaventura

Publicada no Jornal A Tarde de 05/10/2006.

 

A Fundação Visconde de Cairu lança o seu livro do centenário: Cem anos Educando para a vida, organizado pelo historiador Fábio Paes.

Um século na vida de uma instituição prestante, decididamente, presta serviço do conhecimento contábil do aluno de classe média. Destaca-se o seu objetivo social de formação.

Não é comum uma entidade de ensino privado alcançar um século. Surgiu no alvorecer da República, em 1905, e conservou-se sempre fiel ao objetivo de formar para o setor dos serviços , em especial, para o comércio. A publicação começou uma homenagem ao Patrono da Fundação Visconde de Cairu, José da Silva Lisboa, introdutor de Adam Smith no Brasil. Se José Bonifácio muito contribuiu do ponto de vista político, Silva Lisboa marca a sua participação como pensamento econômico e com importantes cargos que ocupou. A abertura dos portos às nações amigas, leia-se Reino Unido, encontrou em Cairu um entusiasta  partidário. Longe de ser uma idéia sua, foi uma exigência inglesa em troca da proteção naval à vinda da família real portuguesa para o Brasil, fugindo às ameaças dos francesas.  Patrick Wilken, no excelente, O império à deriva, comprovou com farta documentação a pressão britânica pela abertura alfandegária dos portos. O ideário do patrono ilumina a organização centenária.

Fábio Paes escreveu perfil institucional da Fundação. Em 12 de março de 1905, foi instituída a Sociedade Civil Escola Comercial da Bahia, que passou por sucessivas mudanças  até chegar à fundação de direito privado. Começou na Rua Chile, mudou-se para Palacete Lacerda, na Praça da Piedade, onde funciona hoje a Universidade Federal da Bahia (Ufba), em fim, instalou-se no Solar Marback, na Ladeira do Salete, no Barris.

O surgimento da Escola de Comércio ligou-se à supressão do ensino comercial público, então existente no Ginásio da Bahia. Um grupo de professores inconformados com a extinção fundou a escola comercial apoiados em lideranças econômicas. Distinguiram-se pela dedicação Josino Coréia Cotias, Conceição Foeppel, Santos Sá, sobre tudo, Domingos Silvino Marques. A escola comercial foi novidade no século republicano, como assinalou Alfredo Matta.

Com a Faculdade de Ciências Econômicas, integrou-se na constituição da Universidade da Bahia, em 1946, juntamente com as faculdades de Medicina, Farmácia, Odontologia, Direito, Politécnica, Filosofia e Belas Artes. Todavia, em 1964, houve a separação. A Faculdade de Ciências Econômicas permaneceu na Piedade e a Fundação Visconde de Cairu transferiu-se para o Solar Marback . Deve-se Osvaldo Gordilho à atuação decisiva frente à instituição naquele momento.

Uma vez nos Barris, a fundação muito progrediu no ensino da contabilidade com novas unidades e novos curso superiores. Além de ciências contábeis, conta com a administração, turismo, normal superior (pedagogia), educação infantil e ensino nas séries iniciais no fundamental. Tradicionalmente, mantém um ensino colegial com o Centro Integrado de Ensino Médio (Ciemp). Um vigoroso passo para conformação acadêmica foi dado pelo presidente Walter Crispim da Silva quando instituiu a pós-graduação com especializações, contanto com dois mestrados intra-disciplinares credenciados em Modelagem Computacional e Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social, Coordenados, respectivamente, pelos professores Marcelo Moret e Maribel Barreto. Programas pós- graduados  que se encontram integrados no Centro de Pós-Graduação e Pesquisa Visconde de Cairu (Ceppev) sob a direção do professor Mamadu L. Bari.

A Fundação Visconde de Cairu, ao comemorar o seu centenário, encontra-se em plena expansão acadêmica não só do ensino como também da pesquisa e da extensão. A experiência do seu Walter Crispim da Silva, verdadeiramente um reitor de fato, líder de um conjunto universitário que brevemente deverá se definir como centro universitário. A entidade encontra na vice-presidente, professora Mazinete V. Lemos, à coordenação acadêmica com novos projetos de cursos.

Os 100 anos da Cairu apontam para um futuro de resultados com responsabilidade social e com desempenho acadêmico voltado para atender às necessidades da educação em contabilidade integrada às ciências sociais aplicadas. 

 

EDIVALDO M. BOAVENTURA

JORNAL A TARDE

Salvador, 05 de Outubro de 2006.