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O
entrevistado, nas palavras do professor Wilson Sardinha, que fazemos
nossas, é um dos mais competentes e completos profissionais da
Contabilidade, e cidadão de grande destaque em nossa terra, por ele
enaltecida quando exerceu, com brilhantismo, em outros Estados,
cargos de alto relevo na administração pública federal. Pela suja
elevada cultura, pelo seu procedimento ético e conceito moral, goza
da admiração e estima dos seus colegas e amigos, em todo o país.
O currículo de José Icó enaltece a classe contábil baiana,
motivo por que o CRCBA, por decisão unânime do seu Plenário,
outorgou-lhe a maior honraria que concede a um contabilista, ou
seja, a Medalha do Mérito Contábil - Militino Rodrigues Martinez,
a ele entregue, solenemente, em outubro de 2001, por ocasião do
encerramento do Seminário Interamericano de Contabilidade.
CRCBA - Faça uma síntese do seu envolvimento com a
Contabilidade.
José Icó - Admitido em concurso publico para a Previdência
Social, logo que passei a exercer as atribuições de Auditor Fiscal
senti a necessidade de possuir básicos conhecimentos contábeis,
para o melhor desempenho de minhas atividades. Bacharelei-me em
Ciências Contábeis e Atuariais, motivo por que, além de Contador,
sou também Atuário, com registro no Instituto Brasileiro de
Atuária (IBA), sediado no Rio de Janeiro.Obtido o registro na
CRCBA, passei a exercer o múnus de perito contábil auxiliar (hoje,
assistente) indicado pelo INSS (ex-INPS, ex-IAPAS) junto à Justiça
Federal. Em seguida, passei a ser nomeado perito do Juiz. Exerci
também a profissão na condição de sócio de empresas de
Contabilidade, como a CONTAMEC, a ASPLACON e, atualmente, a LÓGICA
CONTÁBIL. No magistério superior, lecionei em várias
Instituições de Ensino Superior (IES), sendo professor titular da
UNEB, onde exerci o cargo de Pró-Reitor de Administração. Cumpri
dois mandatos na Presidência do CRCBA.
CRCBA - E a sua formação de Contador ajudou sua carreira
de Auditor Fiscal?
José Icó - Indiscutivelmente. A eficácia da minha
atuação na fiscalização de grandes empresas, decorrente da
condição de profissional da Contabilidade, levou-me a galgar, por
mérito, todos os cargos técnicos regionais da Linha de
Arrecadação e Fiscalização - Chefe da Fiscalização,
Coordenador e Secretário Regional de Arrecadação e
Fiscalização. Exerci também a Superintendência Regional e
cheguei a Diretor (ex-Secretário) de Benefícios, em Brasília.
CRCBA - O senhor poderia falar sobre sua gestão na
Presidência do CRCBA?
José Icó - Com imenso prazer. Fui eleito para o Conselho
integrando uma chapa de renovação encabeçada pelo emérito
contador Alan Kardec Vianna, tendo na minha suplência, para o meu
gáudio, o brilhante colega Sudário de Aguiar Cunha que, depois dos
meus dois citados mandatos e já eleito conselheiro titular, viria a
me substituir na presidência. Estava assim implantada uma era de
gestões profícuas, com uma única exceção que não merece
menção explícita. Na época, os recursos do CRCBA eram escassos,
por demais minguados. Todavia, cada gestor tem o dever de realizar o
melhor para a instituição, não importa as circunstâncias,
criando condições de sustentabilidade para os seus sucessores. Na
reestruturação do órgão, contei com uma tríade valiosa:
contadora Olga Valente, assessora e responsável pelo setor
contábil, a senhora Alda, Diretora, e o professor Antônio
Virgílio Sobrinho, contabilista e advogado. Virgílio reimplantou a
Dívida Ativa permitindo o crescimento da receita, o que garantiu as
profícuas realizações das administrações subseqüentes. Ainda
em meados da década de 1980, os Conselhos Regionais tinham a única
atribuição de fiscalizar o exercício da profissão.
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O Sistema
não entendia que o aperfeiçoamento do contabilista, em todos os
sentidos, é basilar para o seu desempenho profissional. Ousei,
apoiado pelos meus pares, criar um curso dedicado ao conhecimento
Código de Ética, voltado para os pretendentes à obtenção do
registro de contabilista. O professor Virgílio ministrou as aulas.
Por questão de justiça, sinto-me obrigado a enaltecer a
dedicação e empenho dos servidores, a despeito da baixa
remuneração. Ainda hoje, sou agradecido a todos, o que procuro
demonstrar cada vez que troco um aperto de mãos com cada um deles,
entre os quais estavam Gileno Seixas, Reli Cabral, Orlando Sestelo.
Penso que eram sete ao todo, e, se a semântica me permite, formavam
uma verdadeira plêiade.
CRCBA - O senhor, como membro da Comissão de
Acompanhamento do Ensino na Área Contábil do CFC, poderia falar
sobre as últimas notícia sobre o citado ensino?
José Icó - Dois atos do Conselho Nacional de
Educação/Câmara de Educação Superior vieram trazer
tranqüilidade aos seguimentos da classe contábil relacionados com
o ensino. Primeiro, o Parecer CNE/CES Nº 329/2004, aprovado em
11/11/2004, fixou a carga horária mínima do curso de graduação,
bacharelado, em Ciências Contábeis, em 3.000 horas. As
Instituições de Ensino Superior, respeitado o citado parâmetro,
deverão fixar os tempos mínimos e máximos de integralização do
curso. Segundo, a Resolução Nº 10, de 16 de dezembro de 2004 (DOU
de 28/12/2004 - Seção I - p. 15), instituiu as Di retrizes
Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Ciências
Contábeis, bacharelado, revogando a Resolução CNE/CES nº 6, de
10/03/2004.
CRCBA - Falando de ensino e aperfeiçoamento profissional,
o que o senhor acha do princípio de educação continuada?
José Icó - Qualquer profissional, neste século, só
poderá exercer suas atividades com proficiência reciclando-se
continuada e metodicamente. Aos mais jovens ofereço meu exemplo:
terminei o mestrado em Contabilidade em 2000 e, agora, estou
concluindo o doutorado na UFSC, em Engenharia da Produção, área
de concentração em Gestão de Negócios. Os contabilistas, além
dos cursos de pós-graduação lato sensu e strictu sensu, deverão
comparecer aos encontros, convenções, simpósios e congressos da
classe visando atualizar seus conhecimentos, pois todos esses
eventos somam para a educação continuada. É meritória a
atuação do CFC proporcionando condições aos contadores para
prosseguirem na formação acadêmica, nos citados cursos de
pós-graduação.
CRCBA - O que o senhor tem a dizer sobre os Técnicos em
Contabilidade?
José Icó - Dedico aos meus colegas Técnicos em
Contabilidade o mesmo respeito e consideração que tenho pelos
colegas Contadores. Aliás, essa é a forma de ver da sociedade. A
diferença foi estabelecida na legislação, quando criou as duas
modalidades de categorias profissionais, exigindo formação escolar
diferenciada. Mas a experiência adquirida na prática e estudos
como autodidata conferiram ao Técnico em Contabilidade
conhecimentos que os credenciam como excelentes profissionais. Meu
sócio na ASPLACON foi o Técnico em Contabilidade Synval Sampaio
Freire de Carvalho, ex-conselheiro do CRCBA, possuidor de amplos
conhecimentos contábeis e tributários. Todavia, aconselho a todos
os Técnicos em Contabilidade que procurem ingressar em curso de
graduação em Ciências Contábeis, obedecendo ao princípio de
educação continuada, e cuja conclusão lhes permitirá usufruir
todos os direitos legais conferidos à outra categoria.
CRCBA - E quanto à mulher contabilista, professor?
José Icó - Alguém ainda vê qualquer diferença de
capacidade profissional entre o homem e a mulher? Talvez
estatisticamente, pois, na nova geração, as mulheres têm
despontado mais que os homens contabilistas. Vejam os exemplos de
Adelina Marques, Ana Maria Rosa, Célia Oliveira Sacramento, Ligia
Pimenta, Lívia Rodrigues, Miriam Weiss, entre muitas outras. Todas,
porém, tendo como exemplo de competência e dignidade profissional
a excelente Contadora Maria Constança.
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