EDITORIAL DO PRESIDENTE
Prezado(a) Colega,
Para o editorial desta semana, fiquei um pouco reflexivo em que abordagem deveria fazer, principalmente porque no dia 15 de novembro comemoramos a proclamação da República brasileira. Saímos de um governo monárquico, em que as ordens eram emanadas da família real, para um sistema de governo em que o povo passava a ser soberano na escolha de seus governantes.
Continuei reflexivo e fiz a seguinte indagação: quais vantagens existem em um sistema de governo republicano?
Poderemos encontrar como vantagem do Sistema Republicano o fato de ele conferir o poder ao povo. Todo cidadão, com dezesseis anos de idade ou mais, tem, entre outros, os poderes de votar e de ser votado (neste caso, os maiores de 18). O Sistema Republicano tem como principal característica o Princípio da Isonomia, ou seja, todos são iguais perante a lei, a qual é elaborada e sancionada pelos representantes eleitos pelo povo. Respeitando as proporções, o Sistema Republicano pode ser comparado a uma sociedade anônima, cujos acionistas têm o mesmo número de ações. Dessa forma, equivale dizer, todos têm o mesmo poder.
Assim sendo, em um regime republicano, a escolha dos representantes emana do povo, em seu desejo soberano. Por isso, deve ser respeitado o desejo da maioria. Se desejássemos construir ideologias políticas, iríamos caminhar para posicionamentos adversos das escolhas que a maioria faz, que podem nem sempre ser acertadas. Agora, aqueles que não concordam devem manter-se alertas para de maneira equilibrada, dentro de um viés civilizatório, contrapor as decisões e ações com as quais não concordam. Se afirmamos tanto que estamos em um estado democrático de direito, toda ideologia reacionária passa a ser cega, não consegue ver cenários e entender que, às vezes, mudar é preciso e fundamental. Heráclito já nos deixou essa lição ao afirmar “que a única certeza que temos é a mudança”.
Souza afirma que, se por um lado o progresso anunciado pela bandeira republicana se fazia sentir nos grandes centros urbanos, a maioria da população rural se mostrava presa ao poder reservado aos grandes proprietários. Entre outras garantias, a Constituição de 1891 vetou a ampliação dos direitos políticos ao determinar a exclusão dos analfabetos de qualquer processo eleitoral. Dessa forma, as enormes diferenças sociais e a precariedade do sistema de ensino pavimentavam o conservadorismo republicano.
Assim sendo, observamos que a República Brasileira não se transformou em instrumento de diálogo entre as classes dirigentes do país e a grande massa de proletários rurais e urbanos. A ausência deste diálogo acabou sendo pedra fundamental para que uma série de revoltas colocasse em voga o enorme vão que separava o Estado e as maiorias que deveria de fato representar. As possíveis transformações do nosso sistema representativo foram lançadas ao esquecimento, até hoje contemplamos um estado distante dos mais necessitados que faz uma política de cuia na mão em Brasília, para reforçar a permanência de grupos políticos que durante décadas têm usurpado o povo, desviando os recursos públicos para o seu belo prazer pessoal. A maioria dos políticos brasileiros esquece que era povo antes de vencer as eleições. O povo está cansado de ser enganado.
Dessa forma, gostaríamos de chamar atenção de todos os profissionais de Contabilidade. que precisamos de maneira incisiva nos posicionar politicamente na defesa da nossa profissão e, através dos conhecimentos técnicos, amenizarmos os desvios do dinheiro público. Devemos denunciar os maus gestores, com dados concretos dos números apresentados, e elogiarmos políticos e governantes honestos, homens e mulheres de bens. Assim, estaremos exercendo a nossa cidadania.
Prezado(a) colega, que saibamos exercer a nossa cidadania e respeitar a nossa constituição, independente de quem tenha sido eleito no modelo presidencialista republicano. O povo, na sua maioria, elegeu seu representante. Independente de credos ou religiões, que tenhamos um Brasil acima de tudo e Deus, na sua infinita misericórdia, acima de todos, pois Feliz será a Nação cujo Deus é o SENHOR.
Prof. Dr. Antonio Carlos Ribeiro da Silva (ACR)
Presidente do CRCBA

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