EDITORIAL DO PRESIDENTE
Prezado(a) colega,
O editorial desta semana abordará sobre o símbolo da contabilidade. Gostaria de iniciar esclarecendo o que seria um símbolo e o seu efeito na imagem. Símbolo tem o significado de tudo aquilo que, por convenção ou por princípio de analogia formal ou de outra natureza, substitui ou sugere algo. Percebe-se que os símbolos ajudam a criar um sentimento de pertencimento e não seria diferente quando se trata de uma profissão.
O Conselho Federal de Contabilidade esclarece que o termo símbolo é originado do grego súmbolon, que designa um elemento representativo essencial no processo de comunicação. Símbolo pode ser também aquilo que por pura convenção representa ou substitui outra coisa ou ainda uma representação convencional de algo; emblema; insígnia.
O nosso símbolo é conhecido como CADUCEU de Mercúrio ou de Hermes, que na mitologia romana é traduzido como um cajado com um elmo alado e envolto por duas cobras. A mitologia romana conta que o deus mensageiro teria lançado o bastão entre duas serpentes que brigavam para que elas se entrelaçassem e assumissem uma atitude mais amistosa. Essa postura de intermediação foi relacionada ao longo da história com o comércio e as relações de troca, fazendo de Mercúrio o deus dos negociantes. Por essa razão, o caduceu foi eleito um dos símbolos da Contabilidade. A semelhança com o símbolo de Medicina faz com que ambos sejam confundidos com frequência.
Mercúrio era um deus da mitologia romana, que tinha sobre a sua proteção, dentre outras coisas, o comércio. Na mitologia, era filho do deus Júpiter (o maior), e o mensageiro de todos os deuses, em razão de sua grande agilidade (simbolizadas pelas duas asas que ladeiam seu capacete) e de dispor da confiança da máxima divindade.
Relata a história que o caduceu era um bastão de ouro que Mercúrio recebera em troca de instrumentos musicais que inventara (a lira e a flauta) e que haviam maravilhado a Apolo (que detinha poderes e conhecimentos mágicos e era o titular do caduceu). O caduceu passou a ser símbolo dos atributos de Mercúrio, e este, de tal forma aprofundou-se na adivinhação, que passou a conhecer a sorte de outros seres pelo jogo de pedras (semelhante ao de búzios). Mais tarde, usando o capacete de Hades, Mercúrio tornava-se invisível, e assim, prestou grandes serviços a outros deuses, dentre outras coisas, derrotando e matando o temível gigante Hipólito. Tais vitórias transformaram o habilidoso Mercúrio no principal intérprete da vontade divina. Por esta razão ele era, também, o mais ocupado de todos os deuses da mitologia.
Ao tomar o caduceu como seu símbolo, ele também tornou-se o símbolo de tudo o que protegia, inclusive o comércio. Como a Contabilidade Comercial foi a ciência mais importante durante milênios, é justificável a adoção de Mercúrio como patrono da Contabilidade. A própria literatura contábil atesta essa predominância - a primeira obra impressa de contabilidade industrial surgiu no início do século XVII - e os locais onde se ensinava a Contabilidade eram denominados "Escolas de Comércio".
O caduceu é um símbolo mitológico para os profissionais da Contabilidade. Simbolicamente, Mercúrio é o protetor do comércio (no sentido amplo de todas as atividades, pois o próprio Mercúrio também servia a todos) com a nossa orientação, zelo e uso de uma ética que vai até onde for necessário para defendermos os interesses dos empreendimentos.
Mercúrio era tido como o deus inventor da Escrita Contábil. Tal é a plenitude de nossa ação, pois o caduceu que estilizamos absorve não só o bastão de ouro, mas, também, o capacete e as asas, ou seja, tudo o que Mercúrio utilizava para proteger os empreendimentos. O caduceu nos sugere a responsabilidade de ampla proteção ao patrimônio dos empreendimentos, de modo a ensejar a eficácia das células sociais, e pela soma delas, a felicidade das sociedades humanas.
O Caduceu representa, na sua essência, um bastão entrelaçado com duas serpentes, que na parte superior tem duas pequenas asas ou um elmo alado. Sua origem se explica racional e historicamente pela suposta intervenção de Mercúrio diante de duas serpentes que lutavam, as quais se enroscavam em seu bastão. Os romanos utilizaram o caduceu como símbolo do equilíbrio moral e da boa conduta; o bastão expressa o poder; as duas serpentes, a sabedoria; as asas, a diligência; o elmo é emblemático de pensamentos elevados.
Atenciosamente,
Prof. Dr. Antonio Carlos Ribeiro da Silva (ACR)
Presidente do CRCBA
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